segunda-feira, 14 de maio de 2012
Relato reflexivo
Curso: Práticas de Leitura e Escrita na Contemporaneidade
Módulo 4: Leitura e Escrita em Contexto Digital
Cursista: André Luiz do Nascimento Ramos – Turma 53
Relato reflexivo
Leitura e escrita: práticas em redimensionamento
“(...) a tecnologia caracteriza-se, de uma maneira geral, como um conjunto de conhecimentos, informações e habilidades que provêm de uma inovação ou invenção científica, que se operacionaliza através de diferentes métodos e técnicas e que é utilizado na produção de bens e de serviços.” ¹
Compor um relato reflexivo, a partir de um curso voltado para práticas de leitura e escrita em contexto digital, pressupõe um itinerário formativo que favorece uma retomada de concepções gerais sobre o tema abordado e implicações de um novo olhar sobre a própria prática pedagógica.
Apresentado em quatro módulos, o referido curso viabilizou a proposta de reflexão a respeito de como atuar com as tecnologias, de desenvolvimento das competências leitora e escritora bem como de exploração/otimização de algumas práticas e ambientes de leitura e escrita em contexto digital.
Na estrutura organizacional de cada módulo, foi possível desenvolver um conjunto de atividades com apoio de uma tutora que mediava o processo interativo das tarefas individuais e/ou coletivas. Além disso, o suporte virtual por meio de personagens específicos garantiu alinhamento de questões tecnológicas em caráter prático e conceitual.
Nesse sentido, leitura e escrita tornaram-se práticas em redimensionamento em virtude da função social na qual se inserem e do próprio contexto de interatividade ou de interação dos indivíduos.
De modo bem objetivo, o módulo 1 trouxe elementos de estudo no tocante ao letramento digital. Nesse momento, considerando o referencial teórico apresentado, ficou bastante evidente a ideia da dimensão (inter)discursiva da linguagem em razão da mídia utilizada que favorece o reconhecimento de autoria, o desenvolvimento de autonomia e o fortalecimento do protagonismo social.
No módulo 2, mediante pressuposto de aprendizagem colaborativa, a interação foi ainda mais prestigiada por trazer indicação para a construção de um blog (por grupos).
O módulo 3 trouxe o reconhecimento de gêneros e a adequação de situação discursiva. Por contemplar propostas redacionais diferenciadas, foi possível ampliar o processo de leitura e de interação, construindo, inclusive, possibilidade de mediação e de refacção textual.
No módulo 4, houve estudo voltado para questão dos gêneros, objetivos, capacidades e estratégias de leitura. A fundamentação teórica e as atividades complementares favoreceram o exercício de reflexão e de aplicabilidade do conjunto de informações veiculadas no curso.
De certo modo, a intersecção dos módulos garantiu a ampliação dos horizontes dos conhecimentos relativos aos conteúdos estudados e visibilidade das esferas de circulação bem como dos efeitos de sentido na prática de leitura e de produção textual.
Em termos de contribuição à prática profissional a partir desses estudos, é preciso destacar a prerrogativa de ação-reflexão-ação. Além disso, é necessário enfatizar que me sinto como indivíduo aprendente, aprofundando a compreensão de conceitos e ampliando as diretrizes de acompanhamento pedagógico. Em virtude de favorecer um novo olhar e um novo pensar sobre as questões de leitura e de escrita, na perspectiva dos gêneros discursivos, ressalta-se a dimensão de interatividade e de intencionalidade.
No que diz respeito à produção textual em contexto digital, foi possível apoiar, acompanhar a construção de um blog bem como explorar os próprios recursos disponibilizados pela ferramenta – postagens em fóruns diversificados, acesso a links variados e interação a partir da participação de outros cursistas. Procurei fazer indicação de materiais, estabelecer devolutivas por meio de mediação reflexiva e fortalecendo a dinâmica da aprendizagem colaborativa. Nesse sentido, pude atuar como leitor e escritor, apropriando-me dos objetivos específicos das diferentes atividades e propostas no intuito de explorar as estratégias e capacidades de leitura.
Segundo LERNER (2002),:
“Enfrentamos um grande desafio: construir uma nova versão fictícia da leitura, uma versão que se ajuste muito mais à prática social que tentamos comunicar e permita a nossos alunos se apropriarem efetivamente dela. Articular a teoria construtivista da aprendizagem com as regras e exigências institucionais está longe de ser fácil: é preciso encontrar outra maneira de administrar o tempo, é preciso criar novos modos de controlar a aprendizagem, é preciso transformar a distribuição dos papéis do professor e do aluno em relação à leitura, é preciso conciliar os objetivos institucionais com os objetivos pessoais dos alunos...”²
Diante de tal afirmação, ficam patentes a abordagem e os elementos desafiadores no tocante às práticas de leitura e escrita na contemporaneidade. Por isso, outra reflexão desencadeada aponta não só a formação do aluno leitor, mas também o aspecto da formação continuada aos docentes para redimensionar a prática pedagógica voltada à função social e com uso adequado de diversas tecnologias.
No que diz respeito aos alunos, de acordo com MEDEIROS e GALIANO (2005):
“Abrir o mundo da mídia aos jovens é um caminho para a futura profissionalização desses jovens. Seja como primeiro passo para a formação de comunicadores, seja para ampliação de seus conhecimentos e habilidades, sobretudo a de trabalhar em equipe. E é também um caminho para ampliar a capacidade de análise, formando leitores, ouvintes e telespectadores mais críticos e menos manipuláveis.”³
No que concerne ao professor, vale retomar SOLÉ (1998) quando afirma “que o ensino sempre deve ser considerado uma tarefa de equipe, não só no caso da leitura”. De certa forma, tal premissa remete-nos à proposta da interdisciplinaridade o que nos levaria, mediante trabalho didaticamente integrado, ao caminho da intertextualidade e da interdiscursividade.
Para finalizar, destaco como ponto necessário de validação o empenho dos profissionais de nossa rede no que se refere à iniciativa e à realização do curso. Merece, também, destaque o apoio e o acompanhamento expressos pela tutora.
Certamente, com esse breve relato reflexivo, não se esgotam as possibilidades do que foi tratado no curso, contudo vislumbra-se a força das práticas de leitura e escrita em redimensionamento num mundo em constante transformação.
Citações e referências:
¹ GRINSPUN, M. P. S. Z. (org.) – Educação Tecnológica: desafios e perspectivas. São Paulo: Cortez, 1999 – p. 51
² LERNER, Delia – Ler e Escrever na Escola: o real, o possível e o necessário / trad. Ernani Rosa. Porto Alegre: Artmed, 2002 – p. 79
³ MEDEIROS Fº, Barnabé e GALIANO, Mónica Beatriz – Bairro Escola / Uma nova geografia do aprendizado do jovem no mundo da mídia, treinando trabalho em equipe. São Paulo: Tempo D’Imagem, 2005 – p. 62
SOLÉ, Isabel – Estratégias de Leitura – 6ª edição, Porto Alegre: ArtMed, 1998 – p. 174
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário